CAPÍTULO 1 - NOITES DE SANGUE
E-book Noites de Sangue
Escrito por Allan Fear
Sinopse:
Primeiro Rachel Wallace achou que ir passar uma temporada com o irmão, Brandt, seria ótimo. Mas não demorou muito para ela descobrir que o irmão estava diferente. Não dorme mais, não conversa com ninguém e anda muito agressivo. Estaria doente? ou apenas louco? Isso é o que pensa Rachel, depois que pessoas começam a desaparecer e os estranhos ruídos foram ouvidos no sótão.
Leia gratuitamente e tenha bons pesadelos!
Prólogo
A chuva caía tempestuosa. O céu estava
em chamas. Os relâmpagos dançavam a todo instante, enquanto um vento gélido
soprava ruidosamente, estalando os galhos das árvores como ossos de esqueletos.
“Mais
uma noite de tempestade.” Pensou Brandt, olhando pelo vidro embaçado da janela
da sala. Lá fora, na noite, a Rua Hollow se enchia de água corrente.
Passava
pouco das oito horas.
“Devo
ligar agora.” Murmurou Brandt para si mesmo. Pegou o telefone que encimava uma
mesinha de mogno. Discou o número da casa dos pais e colocou o fone no ouvido.
-Alô?-
ao segundo toque uma voz feminina atendeu do outro lado da linha. Era sua irmã
mais nova, Rachel.
-É
o Brandt- murmurou secamente –chame a mamãe.
-Vou
passar o telefone para ela, mas antes me diga como você está. Estou com
saudades. Faz tanto tempo que não nos vemos e...- mas antes que mais uma
palavra sequer pudesse sair da boca de Rachel, Brandt a interrompeu
bruscamente.
-Vá
chamá-la!- ordenou aumentando a voz.
-Mas... tá bem. Vou passar o
telefone pra ela.- falou Rachel, surpresa por ele ter sido tão grosso. Afinal,
sempre quando ele ligava, ficavam horas ao telefone. Eles se davam muito bem.
Talvez o fato de Brandt ter escolhido continuar morando em Vale do Medo com os
tios, ao invés de se mudar com a irmã e os pais para Rosa Negra, ajudasse a se
darem bem, uma vez que ficavam até 6 meses sem ver.
-Oi filho -
falou a Sra. Edna Wallace, feliz por falar com ele. - Como vão as coisas em
Vale do Medo? Tudo bem?
-Não.- foi à
única resposta de Brandt.
-O quê?- a mãe
pareceu não ter entendido direito. O barulho de um trovão a interrompeu.
-Preciso de
vocês.- disse ele em um murmúrio. – Façam as malas e venham para cá... agora!
-Qual o problema,
filho?- a voz da Sra. Wallace soou rouca. Acontecia sempre que estava
preocupada.
-Os tios
viajaram para Lago dos Cisnes para resolverem um problema de urgência.- Brandt
falou mais alto agora. –E eles me demitiram da livraria.
-Nossa!-
exclamou a mãe, quase sem voz. – Mas por que te mandaram embora? Você andou
aprontando?
Brandt pigarreou
e fez uma pausa, depois disse: - Por favor, mamãe venham depressa para cá. Não
me sinto muito bem.
-Tudo bem. Daqui
a meia hora estaremos aí!- assegurou a Sra. Wallace.
Brandt desligou
sem dizer mais nada. A mãe ainda segurava o fone ao ouvido.
O clarão azulado
de um relâmpago entrou pelo vidro da janela, banhando todo o corpo de Brandt em
uma luz néon.
Um brilho
intenso iluminou seus belos olhos azuis. Um brilho diabólico. E, acompanhando
este brilho, um perverso sorriso se formou em sua face clara como a neve.
“Logo eles
estarão aqui.” Murmurou Brandt para si mesmo, fitando seu reflexo embaçado no
vidro da janela. “Mamãe, papai e minha querida irmãzinha.”
Silenciosamente
ele andou até a cozinha e, de um faqueiro de alumínio sobre a bancada, retirou
uma bela e afiada faca de açougueiro e ficou contemplando a lâmina, que por sua
vez, refletiu um sorriso doentio que se desenhava em seu belo e perfeito rosto.
Capítulo
1
Meia hora depois o Sr. e a Sra. Wallace,
juntamente com a filha adolescente, Rachel, de 16 anos, chegaram à casa de
Brandt, localizada na Rua Hollow, 237.
Enquanto abria o
guarda chuva, saindo do Tauros preto que o pai acabara de estacionar na
garagem, Rachel sentiu um arrepio, olhando a velha casa dos tios. A rústica
moradia que se assemelhava às demais daquela rua estreita e sombria. Dois
andares, telhado em declive, a mesma pintura de 10 anos atrás, amarela e
desbotada, e a frente de gramado bem aparado com vaga para dois veículos.
O Sr. Tommy
Wallace colocou as malas na varanda da casa e tocou a campainha.
Em seguida
passos vinham em direção ao hall.
A porta abriu
com um rangido.
Uma luz amarela
iluminou Rachel e os pais e, diante dela, apareceu um rapaz magro, usando jeans
e camisa de malha, ambos pretos e amarrotados.
Rachel o olhou
de cima embaixo. Engoliu a seco, quando finalmente reconheceu-o como sendo seu
irmão, Brandt. Ele tinha o rosto absolutamente pálido, olheiras profundas
abaixo dos olhos avermelhados. Os lábios estavam secos. O cabelo preto curto
todo atrapalhado. Era apenas um ano mais velho que ela, mas estava um trapo.
Parecia no mínimo ter 30 anos.
O pai sorriu
meio desajeitado, ajeitou os óculos de grau e apressou-se a apertar a mão de
Brandt. –Quanto tempo, hein, filhão?
-Você não parece
bem querido.- comentou a mãe, abraçando e beijando o rosto de Brandt. Este
sequer esboçou emoção ao rever sua família.
-Entrem!-
sussurrou ele.
Todos entraram na casa quente e acolhedora.
***
-Nossa! Você
está horrível mano.- comentou Rachel, sentada ao lado do irmão no sofá de vinil
na sala. Os pais estavam preparando o jantar.
Ele nada disse.
Manteve os olhos na tv. Passava um inofensivo programa de auditório.
-Ei! Brandt, não
me ouviu?- indagou ela, balançando o irmão pelo ombro. – O quê que você anda
fazendo?
Ele virou o
rosto para ela. Os olhos pareciam tão melancólicos e depressivos. Os lábios
comprimidos, formando uma cara de carranca muito esquisita.
Ele ficou
encarando-a sem dizer nada e então voltou o olhar para a tv.
“Tem alguma
coisa errada com ele.” Pensou Rachel, estudando-o com seus olhos azuis.
“Estaria doente? Talvez com Anemia? Ou Depressão?” ela não sabia dizer.
Sentados juntos,
não pareciam irmãos. Rachel era magra, tinha longos cabelos pretos e sedosos,
que contrastavam lindamente com seu rosto, de pele clara, sobrancelhas grossas,
os mesmos olhos azuis do pai e do irmão, as maçãs bem delineadas, o nariz fino,
como o da mãe e lábios carnudos e vermelhos. Ela era linda. Ele não. Pelo
menos, não mais. Sua pele parecia seca e crespa.
-Brandt.- disse
a Sra. Wallace entrando na sala com um copo nas mãos. –Eu lhe preparei um suco
de beterraba com cenoura. Isso vai te ajudar a ganhar uma cor. Você está tão
pálido...
Mas Brandt não
pareceu ouvir uma palavra do que disse a mãe.
Só quando ela
parou diante dele foi que o rapaz a notou. Olhou para o copo nas mãos dela e
arregalando os olhos disse impulsivamente:
-Sangue!?
Continua...







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