Capítulo 15 - NOITES DE SANGUE
Capítulo
15
O ser que se levantou do caixão tinha no
mínimo dois metros de altura. Sua cabeça de longos cabelos crespos escuros
chegava a encostar no teto do sótão. Seu rosto tinha uma estranha camada de
pele podre escura e avermelhada. Nas órbitas, queimavam duas chamas da cor de
sangue. A roupa era preta e muito antiga.
-Vocês,
garotas idiotas, estão atrapalhando os meus planos. - esbravejou ele num timbre
vibrante e cavernoso de voz. Os três jovens puderam ver suas presas afiadas. –
Não era para meu corpo sair do caixão ainda.
-O
que é você?- Rachel conseguiu articular uma indagação diante do inumano.
-Eu?-
riu ele. – Eu sou Eaque Hollow, um vampiro!
-Era
você que estava fazendo meu irmão agir de forma tão estranha, não era?-
balbuciou Rachel. No chão, as oito pessoas caídas começavam a respirar
ruidosamente. –Mas por que aprisionou todas estas pessoas? Por que fez Brandt
nos chamar para ficar com ele?
-Quantas
perguntas estúpidas.- riu Eaque, dando um passo em direção a eles. Seus olhos
fuzilavam os de Rachel. – Quando seu irmão achou meu livro encarnado e colocou
o meu medalhão feito com o diamante do mundo das trevas, o meu poder o fez me
trazer do túmulo.
-Há
mais de 100 anos que eu fui morto e um feitiço em mim foi lançado. Meu corpo
foi sepultado nos muros desta casa, onde eu morava. Minha alma esperou o dia em
que alguém achasse o livro e o medalhão para poder me libertar.
-Mas
o meu corpo precisava de sangue. O sangue de meus ancestrais escolhidos a dedo
por mim. A combinação dos sangues na ordem certa me faria imortal novamente.
Então usei Brandt para aprisionar meus escolhidos, um de cada vez, nos casulos
especiais, para que seus corpos permanecessem vivos, me nutrindo com seus
sangues.
Ele
apontou o dedo com a enorme unha vermelha para Rachel e disse:
-Só falta três
sangues: os dos seus pais e o seu, Rachel. Afinal, embora de sobrenome Wallace,
vocês também pertencem à família Hollow, como estes vermes que jazem no chão.
Ele
veio em direção a Rachel, os olhos fixos no seu pescoço.
-Não.-
berrou Brandt, se lançado de encontro ao vampiro. Mas este dominou facilmente o
jovem rapaz, pegando-o pelo pescoço.
-Você
não me serve mais, Brandt.- rosnou Eaque, ergueu o rapaz pelo pescoço e o
atirou para o lado. Este caiu inerte, após se chocar contra a parede. O vampiro
continuou a se aproximar das duas garotas. – Esta noite eu quero o seu sangue,
Rachel.
Eaque
veio pisando nos corpos das pessoas no chão. Umas conseguiam emitir um fraco
gemido ao serem pisoteadas.
Rachel
estava petrificada. Seu corpo não a obedecia mais. Atrás dela, Nayara conseguiu
correr e sair do sótão. O vampiro a ignorou, hipnotizado com o pescoço de
Rachel.
Ele
colocou suas pesadas e grandes mãos nos ombros trêmulos da garota. Esta sentiu
um arrepio que a fez dar um pulo de medo.
Rachel
tinha que se mexer. Mas não conseguia. Parecia enfeitiçada por uma mágica
nefasta.
O
vampiro abriu a boca, mostrando suas presas afiadíssimas. Um hálito quente e
fedorento veio de encontro ao rosto pálido de Rachel, onde as lágrimas rolavam.
Eaque
afastou com as mãos os cabelos dela, que cheiravam a rosas, inclinou um pouco a
cabeça, deixando o pescoço à mostra e aproximou sua boca para uma mordida.
Rachel
sentiu um calafrio intensamente gelado percorrer todo o seu corpo quando as
presas frias e duras do vampiro tocaram a pele do seu pescoço.
-Não.-
Rachel conseguiu balbuciar. Então libertou seus braços do encanto e tentou
afastar o vampiro. Mas ele era muito pesado. Sequer se moveu. Seu hálito
queimava a pele dela.
“A
faca.” Lembrou-se Rachel quando o vampiro ia mordê-la. A faca ainda estava em
sua mão, como se estivesse grudada.
Reunindo
toda sua força, ela conseguiu fazer o braço se mover e enfiou a grande e afiada
faca de açougueiro na barriga de Eaque.
-Aaarrgggh!!!-
o vampiro gemeu, recuando. – Maldita. Como ousa me atacar?
Muito
sangue fluía de sua barriga cortada. Ele colocou as mãos tentando conter a
pequena cachoeira de sangue vermelho-escuro, que gotejava sobre o chão.
-Vai
pagar por isso!!- ameaçou o vampiro. Deu um passo em direção a ela, pisando
novamente nos corpos.
-O
quê?!- surpreendeu-se Eaque, quando Brandt se ergueu do chão e pulou sobre ele,
dando-lhe vários socos na face.
Com
uma fúria inumana Eaque arremessou Brandt nos ares, fazendo-o se chocar contra
o caixão. Ele se virou para Rachel, na hora que esta correu ao seu encontro,
cravando-lhe a grande faca no peito.
Um
urro de dor aterrorizante escapou da boca de Eaque. Ele cambaleou e, por fim,
tombou, juntando-se aos demais corpos no chão. Sua pele começou a secar a
medida que o sangue o abandonava. Então o corpo de Eaque virou uma espessa
massa gosmenta, restando apenas o seu esqueleto amarelado.
Rachel
tremia quando seus pais, Nayara e uma equipe de paramédicos entraram no pequeno
e tumultuado sótão de horrores.
No outro dia, o
carro da família Wallace deixava Vale do Medo, seguindo pela Rua Hollow. Era
uma agradável tarde de primavera. O ar estava fresco e doce. O sol brilhava em
um belo céu azul sem nuvens. Uma brisa refrescante entrava pela janela aberta
do veículo.
Depois
daquela arrepiante noite de terror, o pesadelo tinha sido enterrado em um
túmulo no cemitério, junto com o esqueleto de Eaque, seu misterioso livro e o
medalhão. Todos, em Vale do Medo, ficaram chocados com a notícia de que Eaque
Hollow tinha ressuscitado. O que amenizava as coisas era que ele estava
enterrado novamente e todos aqueles de quem ele roubara sangue estavam bem
agora. Alguns ainda no hospital, mas fora de perigo, como os tios de
Rachel.
-Estou
super feliz que você decidiu vir morar com a gente.- disse Rachel para o irmão.
Ambos iam no banco de trás do carro, que o pai dirigia ao lado da mãe.
-Eu
não vejo a hora de conhecer a cidade de Rosa Negra.- sorriu Brandt, animado.
–Você conhece muitas gatinhas lá para me apresentar?
Rachel
riu. Este era novamente seu bom e velho irmão. O rosto começava a ganhar uma
cor mais viva e o sorriso era descontraído e fofo.
-Depende-
disse Rachel fazendo um beicinho. – do jeito que você vai se portar comigo de
agora em diante.
-Ah!
É assim?- Brandt se jogou para cima da irmã, lhe fazendo cócegas sem parar. –Eu
quero conhecer todas as suas lindas amigas e ainda quero que diga para elas que
eu sou o melhor irmão do mundo.
-Pára.-
riu Rachel empurrando o irmão. –Sabe o que vai me deixar mais feliz ainda?
-O
quê?- perguntou Brandt, olhando-a com aqueles belos olhos azuis. – Que eu te
faça mais cócegas?
-Não.-
disse Rachel, dando outro empurrão no irmão. Tirou o cabelo que lhe caía no
rosto e falou: -Nunca mais voltar ao Vale do Medo.










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