Capítulo 7 - NOITES DE SANGUE
Capítulo
7
Rachel estava chocada. Definitivamente
aquele não era mais o seu irmão.
Deitada
em sua cama, após um jantar que sequer conseguiu tocar na comida, ela estava em
seu quarto, trancada, com a coberta até o queixo.
A
luz da lua banhava o aposento em uma claridade pálida.
Lágrimas
persistiam em rolar pelo rosto de Rachel. Doía-lhe muito o que o irmão lhe fez:
ameaçá-la de morte, tentar esganá-la.
Brandt
estaria escondendo o corpo de Neil no sótão? Então seu irmão teria se
transformado em um maníaco homicida? Isso era muito assustador.
Não
podia ser. De jeito nenhum. O irmão só deveria estar passando por uma fase
difícil depois de perder o emprego que ele gostava tanto.
Mas
então o que diabos ele escondia no porão? Era um mistério. E Rachel tinha que
descobrir. De um jeito ou de outro. Afinal, sua curiosidade não a deixaria em
paz.
Ela
fechou os olhos. Tinha de dormir um pouco. Não conseguia pensar direito. Estava
muito assustada.
No
outro dia, logo cedo, Rachel decidiu sair para dar uma volta. Desde que viera
para Vale do Medo ficara em casa o tempo todo. Sair e respirar ar puro ia lhe
fazer bem.
Ela
usava uma minissaia de vinil preta, que combinava com sua baby-look cor-de-rosa.
Deixou os cabelos molhados, soltos, ao sabor do vento que soprava fresco e
doce.
O céu estava
cinzento, repleto de nuvens pairando baixas. Estava uma temperatura agradável.
O asfalto ainda molhado pela chuva da madrugada.
Rachel
morou em Vale do Medo durante 10 anos. Era uma cidade pequena, com uma
população de 23 mil habitantes. Parecia ser um lugar tranquilo, mas ela sabia
que não era. Principalmente por causa da Rua Hollow, onde os tios moravam.
Muitos diziam ser assombrada.
Era
na Rua Hollow que tinha o hospício abandonado do Sr. Stanley Hollow. Um prédio
que diziam ser mal assombrado. Conta-se a lenda que certa noite um incêndio
causado pelos próprios internos matou a todos. Desde então as almas penadas
daqueles que lá viviam internados assombram o lugar.
Mas
não era só isso. De jeito nenhum. Tinha ainda as casas mal-assombradas, todas
espalhadas ao longo da Rua Hollow. Assombradas por fantasmas das vitimas que
ali foram brutalmente assassinadas.
Rachel
nunca vira nenhum fantasma naquela cidade, mas as histórias sempre a
assustaram. Muitos amigos juravam já ter visto fantasmas nas velhas casas
abandonadas.
Rachel
seguia pela rua tranquila. Era sexta-feira. As casas eram idênticas de ambos os
lados da rua, que sustentava um aglomerado de árvores frondosas. As residências
de frente gramada eram todas de 2 andares, com pinturas rústicas e telhados em
declive.
Mais
à frente, do outro lado da rua, se erguia o bosque de Satanás, Assim chamado
pelos habitantes de Vale do Medo.
Rachel
sentiu arrepios ao passar por ali.
O
bosque de Satanás era o local preferido dos assassinos psicopatas. Ela sempre
ouvira falar dos homicídios ocorridos ali. Os assassinatos brutais. Os corpos
mutilados. Era sem dúvida o lugar mais assustador de Vale do Medo.
Dois
quarteirões dali havia o cemitério da cidade. Mesmo de onde estava ela via os
muros brancos e encardidos pelo tempo se erguerem. Rachel odiava passar por
ali. Já ia voltar quando viu uma bola verde de Softball, quicando, até parar ao
lado do seu tênis branco.
Rachel
pegou a bola e viu de quem era: uma garota com um cachorro Pastor Alemão na
frente de uma casa. O animal tentava se libertar da coleira para ir pegar a
bola. A garota fazia força para segurá-lo
Rachel
caminhou para entregar a bola para o cachorro. Ela estudou a simpática garota,
baixa, de pele bronzeada, magra, que usava short cor-de-rosa e uma camisa
folgada. Tinha um rosto bonito, aparentando ter entre 15 e 16 anos, de olhos
castanho-claro, lábios finos e nariz pequeno e empinado. O cabelo castanho
estava preso para trás em um rabo-de-cavalo.
-Obrigada.-
A simpática menina agradeceu quando Rachel entregou a bola para o cão, que a
abocanhou imediatamente.
-De
nada.- Rachel sorriu amigavelmente. – Qual o nome do seu cachorro?- perguntou,
fazendo festa na grande cabeça do cão, que ficava mordiscando a bola.
-Bob.-
respondeu a garota, em uma voz aguda – Meu nome é Nayara Pimenta. E o seu?
-Rachel
Wallace.- ela aperta a mão da outra.
-Você
é nova por aqui, não é?
-Na
verdade não moro aqui. Pelo menos não mais.- disse Rachel, mas viu pela
expressão de Nayara que ela não entendeu nada.
-Já
morei aqui alguns anos atrás.- explicou olhando nos olhos da outra. – Eu e meus
pais viemos passar uns dias com meu irmão.- só de falar nele Rachel sentiu os
pelos de sua nuca se arrepiarem.
-Quem
é seu irmão?- perguntou Nayara, muito interessada. – Mora nesta rua?
-Sim.-
Rachel concordou com a cabeça. – Ele se chama Brandt. Se você o conhecer talvez
possa me ajudar em uma coisa.
Repentinamente
o ar descontraído e feliz desapareceu do rosto de Nayara. Dando lugar a uma
expressão assustada. Ela ficou em silêncio, pondo-se a fitar um ponto qualquer
na grama.
-O
que foi?- indagou Rachel. – Você parece assustada. Por acaso conhece meu
irmão?- se abaixou para encarar Nayara e continuou: - Pode me dizer o que
aconteceu para ele estar agindo de modo tão estranho?
-Eu
não sei de nada.- disse a outra garota com a voz alterada, se levantando e
tentando puxar o cão para dentro da casa. – Eu sinto muito, mas preciso ir.
-Espere.-
Rachel a puxou pelo pulso e olhou no fundo dos seus olhos. – Meu irmão está
agindo como um louco. Ele não era assim. Eu preciso saber o que está
acontecendo. Por favor, me conta o que você sabe. O que ele esconde no sótão?
-O
sótão?!- balbuciou a garota aterrorizada. Deixando escapar um soluço
amedrontado.
-Você
sabe de algo, não é?- Rachel a segurou pelos ombros. – Precisa me contar.
Agora!
Continua...









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