Capítulo 7 - NOITES DE SANGUE

Capítulo 7

 


 

Rachel estava chocada. Definitivamente aquele não era mais o seu irmão.

            Deitada em sua cama, após um jantar que sequer conseguiu tocar na comida, ela estava em seu quarto, trancada, com a coberta até o queixo.

            A luz da lua banhava o aposento em uma claridade pálida.

            Lágrimas persistiam em rolar pelo rosto de Rachel. Doía-lhe muito o que o irmão lhe fez: ameaçá-la de morte, tentar esganá-la.

            Brandt estaria escondendo o corpo de Neil no sótão? Então seu irmão teria se transformado em um maníaco homicida? Isso era muito assustador.

            Não podia ser. De jeito nenhum. O irmão só deveria estar passando por uma fase difícil depois de perder o emprego que ele gostava tanto.

            Mas então o que diabos ele escondia no porão? Era um mistério. E Rachel tinha que descobrir. De um jeito ou de outro. Afinal, sua curiosidade não a deixaria em paz.   

            Ela fechou os olhos. Tinha de dormir um pouco. Não conseguia pensar direito. Estava muito assustada.

 ***

            No outro dia, logo cedo, Rachel decidiu sair para dar uma volta. Desde que viera para Vale do Medo ficara em casa o tempo todo. Sair e respirar ar puro ia lhe fazer bem.

            Ela usava uma minissaia de vinil preta, que combinava com sua baby-look cor-de-rosa. Deixou os cabelos molhados, soltos, ao sabor do vento que soprava fresco e doce.

O céu estava cinzento, repleto de nuvens pairando baixas. Estava uma temperatura agradável. O asfalto ainda molhado pela chuva da madrugada. 

            Rachel morou em Vale do Medo durante 10 anos. Era uma cidade pequena, com uma população de 23 mil habitantes. Parecia ser um lugar tranquilo, mas ela sabia que não era. Principalmente por causa da Rua Hollow, onde os tios moravam. Muitos diziam ser assombrada.

            Era na Rua Hollow que tinha o hospício abandonado do Sr. Stanley Hollow. Um prédio que diziam ser mal assombrado. Conta-se a lenda que certa noite um incêndio causado pelos próprios internos matou a todos. Desde então as almas penadas daqueles que lá viviam internados assombram o lugar.

            Mas não era só isso. De jeito nenhum. Tinha ainda as casas mal-assombradas, todas espalhadas ao longo da Rua Hollow. Assombradas por fantasmas das vitimas que ali foram brutalmente assassinadas.

            Rachel nunca vira nenhum fantasma naquela cidade, mas as histórias sempre a assustaram. Muitos amigos juravam já ter visto fantasmas nas velhas casas abandonadas.

            Rachel seguia pela rua tranquila. Era sexta-feira. As casas eram idênticas de ambos os lados da rua, que sustentava um aglomerado de árvores frondosas. As residências de frente gramada eram todas de 2 andares, com pinturas rústicas e telhados em declive.

            Mais à frente, do outro lado da rua, se erguia o bosque de Satanás, Assim chamado pelos habitantes de Vale do Medo.

            Rachel sentiu arrepios ao passar por ali.

            O bosque de Satanás era o local preferido dos assassinos psicopatas. Ela sempre ouvira falar dos homicídios ocorridos ali. Os assassinatos brutais. Os corpos mutilados. Era sem dúvida o lugar mais assustador de Vale do Medo.

            Dois quarteirões dali havia o cemitério da cidade. Mesmo de onde estava ela via os muros brancos e encardidos pelo tempo se erguerem. Rachel odiava passar por ali. Já ia voltar quando viu uma bola verde de Softball, quicando, até parar ao lado do seu tênis branco.

            Rachel pegou a bola e viu de quem era: uma garota com um cachorro Pastor Alemão na frente de uma casa. O animal tentava se libertar da coleira para ir pegar a bola. A garota fazia força para segurá-lo

            Rachel caminhou para entregar a bola para o cachorro. Ela estudou a simpática garota, baixa, de pele bronzeada, magra, que usava short cor-de-rosa e uma camisa folgada. Tinha um rosto bonito, aparentando ter entre 15 e 16 anos, de olhos castanho-claro, lábios finos e nariz pequeno e empinado. O cabelo castanho estava preso para trás em um rabo-de-cavalo.

            -Obrigada.- A simpática menina agradeceu quando Rachel entregou a bola para o cão, que a abocanhou imediatamente.

            -De nada.- Rachel sorriu amigavelmente. – Qual o nome do seu cachorro?- perguntou, fazendo festa na grande cabeça do cão, que ficava mordiscando a bola.

            -Bob.- respondeu a garota, em uma voz aguda – Meu nome é Nayara Pimenta. E o seu?

            -Rachel Wallace.- ela aperta a mão da outra.

            -Você é nova por aqui, não é?

            -Na verdade não moro aqui. Pelo menos não mais.- disse Rachel, mas viu pela expressão de Nayara que ela não entendeu nada.

            -Já morei aqui alguns anos atrás.- explicou olhando nos olhos da outra. – Eu e meus pais viemos passar uns dias com meu irmão.- só de falar nele Rachel sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem.

            -Quem é seu irmão?- perguntou Nayara, muito interessada. – Mora nesta rua?

            -Sim.- Rachel concordou com a cabeça. – Ele se chama Brandt. Se você o conhecer talvez possa me ajudar em uma coisa.

            Repentinamente o ar descontraído e feliz desapareceu do rosto de Nayara. Dando lugar a uma expressão assustada. Ela ficou em silêncio, pondo-se a fitar um ponto qualquer na grama.

            -O que foi?- indagou Rachel. – Você parece assustada. Por acaso conhece meu irmão?- se abaixou para encarar Nayara e continuou: - Pode me dizer o que aconteceu para ele estar agindo de modo tão estranho?

            -Eu não sei de nada.- disse a outra garota com a voz alterada, se levantando e tentando puxar o cão para dentro da casa. – Eu sinto muito, mas preciso ir.

            -Espere.- Rachel a puxou pelo pulso e olhou no fundo dos seus olhos. – Meu irmão está agindo como um louco. Ele não era assim. Eu preciso saber o que está acontecendo. Por favor, me conta o que você sabe. O que ele esconde no sótão?

            -O sótão?!- balbuciou a garota aterrorizada. Deixando escapar um soluço amedrontado.

            -Você sabe de algo, não é?- Rachel a segurou pelos ombros. – Precisa me contar. Agora!

Continua...

          

 

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