CAPÍTULO 2 - NOITES DE SANGUE

 


Capítulo 2



Rachel estava hospedada no quarto ao lado do de Brandt, no segundo andar. Os pais ficaram no quarto com suíte no primeiro andar.

            Após o jantar em que Brandt mal tocara na comida, Rachel ajudou a mãe a tirar a mesa, depois tirou os jeans e o suéter, trocando-os por uma calça de moletom e uma camisa de manga comprida.

            Ela se lembrava de como Brandt ficou furioso quando a mãe sugeriu que ele fosse ao médico. Disse que só os queria ali para fazer comida, ajudar a arrumar a casa e fazer lhe companhia até os tios chegarem.

            Deitada na cama, ela olhava para o teto escuro, escutando o barulhinho da chuva nas telhas. Era quase meia-noite.

            Sentindo o sono chegar de mansinho, Rachel fechou os olhos, sentindo o um pouco de frio.

            “O que é isso?” perguntou-se a garota, retendo a respiração para ouvir melhor o fraco som que vinha do outro lado da parede.

            Levantou-se da cama vagarosamente, encostou o ouvido na parede fria, de pintura desbotada, e escutou com atenção.

            Silêncio.

            Mas, em seguida, passos, e uma voz, a de Brandt, ela soube reconhecer, apesar de não entender o que ele dizia. Em seguida outro timbre de voz, este mais grave.

            Eles conversavam em um tom muito baixo para ela entender o que diziam, através da parede que separava os quartos.

            Confusa, Rachel saiu do quarto, sentindo o chão frio, de tacos corridos, do corredor, sob seus pés. “Com quem Brandt estaria conversando?” indagou Rachel. 

            Ela constatou que a porta do quarto do irmão estava fechada. Com o coração aos pulos dentro do peito, decidiu espiá-lo pelo buraco da fechadura.

            Pelo pequeno buraco, Rachel viu uma pessoa de pé em meio a penumbra. Era Brandt. Ela o reconheceu quando um relâmpago iluminou o quarto.

            O irmão conversava mesmo com alguém, gesticulando e concordando com acenos de cabeça. Mas ela não conseguia ver com quem ele conversava e muito menos escutar o que diziam. Falavam baixo e a chuva havia aumentado, fazendo muito barulho nas calhas e telhado.

            Rachel teve uma ideia para poder ouvir o que diziam. Colocou o ouvido encostado no buraco da fechadura e, retendo a respiração, conseguiu escutar o que falavam:

            -Não se preocupe.- dizia Brandt – Tudo vai sair como planejado. Logo todos serão...- Rachel soltou o ar dos pulmões e respirou fundo, produzindo um ruído alto. O irmão interrompeu a frase.

            Rachel olhou pelo buraco da fechadura e viu Brandt parado, de frente para ela. Parecia fitá-la também e começou a caminhar em sua direção.

            Assustada, a garota voltou correndo para seu quarto, deitou na cama e se cobriu com o edredom até o pescoço. O coração aos pulos no peito. Fechou os olhos como se estivesse dormindo.

            De jeito nenhum ela queria que o irmão a pegasse bisbilhotando-o.

            Ouviu passos no assoalho. Cada vez mais perto. Abriu um pouco os olhos e viu o irmão, parado, à porta do quarto, estudando-a muito desconfiando.

            À luz de um relâmpago, que entrou pela janela como o flash de uma máquina fotográfica, Rachel pôde ver algo brilhar em uma das mãos de Brandt. Uma grande lâmina prateada e afiada.

            Uma faca. Isso Rachel tinha certeza.

            Mas uma coisa a deixava em dúvida: O que ele iria fazer com aquela faca?   


Continua...




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