Capítulo 4 - NOITES DE SANGUE
Capítulo
4
Rachel ficou se perguntando por que o
irmão não queria que ela fosse ao sótão. Estaria ele escondendo algo lá em
cima? Talvez. E o que poderia ser? Algo bom que não era. Afinal, Brandt ficara
uma fera só por ela ter tentado ir lá.
“Seja
lá o que você estiver escondendo de mim Brandt, eu vou descobrir.” Afirmou para
si mesma, na hora do almoço.
A
Sra. Wallace, com a ajuda do marido, preparou bife acebolado, farofa, batata
frita, milho verde, arroz e salada de maionese.
Enquanto
todos comiam, Rachel não deixou de reparar no modo como o irmão se alimentava,
simplesmente jogando a comida na boca sem ao menos se dar ao trabalho de
mastigá-la. Ia engolindo tudo inteiro. Produzindo ruídos nojentos.
“Este
não é o meu velho irmão.” Pensou Rachel amargamente. “Há algo errado com ele. O
que os tios lhe fizeram? Será que está louco ou apenas doente?”
-Lawhanda
e Nelson não deixaram o telefone de onde iriam ficar em Lago dos Cisnes?-
perguntou o Sr. Wallace, após dar uma golada no suco de morango.
-Não.-
murmurou Brandt.
-É
estranho. Os tios saírem assim, sem ao menos especificar o que iam fazer numa
cidade tão longe de Vale do Medo.- falou Rachel, usando a colher para brincar
com a comida. Olhou e viu o irmão a fuzilar com os olhos. Ela rapidamente
desviou o olhar, focando-o no prato cheio de comida.
-Eles
disseram quanto tempo iriam ficar lá?- indagou a Sra. Wallace, olhando para o
filho com seus olhos verde-jade. Uma mecha de cabelo loiro caiu-lhe nos olhos e
ela os tirou rapidamente, colocando-o atrás da orelha.
-Uns
15 dias, eu acho. - murmurou Brandt. Bagos de arroz lhe caíam da boca
cheia.
Naquela noite,
após o jantar, Brandt havia saído. Dissera aos pais que ia à casa de um amigo.
A
chuva cessara. Estava uma agradável noite, fresca e silenciosa.
Enquanto
os pais estavam na sala vendo novela na tv, Rachel decidiu ir ao sótão
descobrir o que o irmão estava escondendo lá. Determinou que se fosse algo
sério iria contar tudo aos pais.
Subiu
as escadas do sótão, tentou a porta e constatou que estava trancada.
“Talvez
Brandt tenha uma chave escondida no seu quarto.” Pensou, descendo as escadas
que rangiam, entrou no quarto do irmão que, por sorte, não estava trancado.
Ela
notou que o quarto do irmão estava uma bagunça. “Mamãe iria ter um treco se
visse toda essa desordem.”
No
quarto havia uma cama desarrumada, um closet e um criado mudo com um abajur, os
mesmos móveis que haviam no aposento que ela estava hospedada. A diferença é
que ali tinha roupas jogadas por todo o chão e marcas de pés nas camisas sobre
a cama.
Ela
começou a procurar a chave.
Achou um molho
de chaves atrás do abajur. Pegou-o rapidamente e correu para o sótão.
Enquanto
testava qual era a chave certa, ouviu os ruídos estranhos vindos do fundo do
sótão.
Colocou
outra chave na fechadura e girou-a, destrancando a porta, que se abriu com um
ruído sinistro.
Um
forte cheiro de naftalina penetrou por suas narinas, fazendo-a espirrar.
Lá
dentro estava escuro como breu. Ela apalpou a parede até achar o interruptor.
Acendeu
a luz, que cegou-a com sua forte claridade. Rachel piscou até se acostumar com
a iluminação que feria seus olhos. Mas, antes que suas retinas parassem de
arder, uma criatura a atacou.
-AAArrrgggh!!!-
Rachel gritou aterrorizada, tentando escapar do ataque da criatura que batia
suas asas muito próximas do seu rosto, puxando seus cabelos e fazendo-a recuar.
Rachel
agitou as mãos tentando se livrar do morcego que a atacava. Tentou fugir da
entrada do sótão e foi aí que se desequilibrou no topo das escadas e sentiu o
chão sumir sob seus pés. Seu corpo rolou escada abaixo até sua cabeça se chocar
contra o chão.
Um
estrondo ensurdecedor para Rachel.
Depois
veio o silêncio e tudo ficou escuro.













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