Capítulo 12 - NOITES DE SANGUE

 

Capítulo 12

 

 

Naquele cômodo de madeira pequeno e de teto baixo, estava um aglomerado de casulos, formando uma meia lua no final do sótão, eram oito no total. Todos os casulos com silhuetas humanas, dependurados por grossas teias brancas.

            As duas garotas, trêmulas e amedrontadas, se aproximaram daquela cena estranha, tentando entendê-la, de alguma forma, se é que isso seria possível.

            -Oh! Meu Deus!- Rachel emitiu um lamento de terror. – Isso é um caixão!?

            -Não pode ser...- choramingou Nayara ao seu lado. Os dentes batiam uns contra os outros. –Dentro dos casulos tem pessoas?

            No meio dos casulos de silhuetas humanas, estava um grande caixão preto, revestido com adereços de ouro e símbolos místicos.

            -Ahhh!!!- gritou Rachel incapaz de conter o susto ao perceber um estranho detalhe: em cada um dos oito casulos saía uma sonda fina que ia até o interior do caixão, entrando por pequenas cavidades nas bordas.

            -É sangue.- balbuciou Rachel ao examinar uma das sondas. O sangue vermelho-brilhante corria livremente pela borracha transparente.

            Com as mãos trêmulas Rachel começou a rasgar um dos casulos e, para confirmar seu horror, ela encontrou submerso naquela coisa branca e pegajosa um rosto humano. Um rosto familiar. Era sua tia Lawhanda, com rosto muito pálido e sem expressão.

            -Oh! É minha tia.- balbuciou Rachel em um fio de voz. Correu para o casulo do lado e rasgou a substância na altura que cobria o rosto.

            Ali estava seu tio Nelson. O rosto igualmente pálido como o da mulher. Parecia morto.

            -São eles.- disse Rachel, aturdida. – Rápido Nayara! Me ajude a tirar essas coisas nojentas deles.

            -Ainda estão vivos?- perguntou Nayara petrificada de medo.

            Rachel verificou a tia, e conseguiu sentir uma respiração fraquinha e ouvir um batimento cardíaco quase inaudível. Depois checou o tio. A mesma coisa.

            -Ainda estão vivo!- anunciou aliviada. –Rápido! Me ajude a libertá-los. Agora!

            Ambas começaram a rasgar os casulos usando suas unhas.

            -Isso é nojento.- gemeu Nayara. Rachel a ignorou. Continuou a luta para libertar os tios.                        

            À medida que iam libertando as pessoas daqueles casulos, mais rostos familiares iam surgindo. Os outros amigos de Nayara, Marta e Jeck também estavam ali. Ainda vivos. Até uma garotinha de 12 anos estava no casulo. Todas as oito pessoas ainda estavam vivas.

            Rachel constatou que a sonda estava enfiada no braço de cada um deles. Ela as retirou com cuidado. Fazendo filetes de sangue vermelho-brilhante escorrer por seus braços igualmente pálidos.

            Todas as oito pessoas, ainda inconscientes, estavam agora libertas dos casulos e das estranhas teias que os prendiam. Estavam deitadas sobre o chão pequeno do sótão.

            -Agora precisamos de ajuda.- disse Rachel. –Vou descer e ligar para uma ambulância, você me espera aqui e...- ela não conseguiu terminar a frase.

            Ambas ouviram os passos apressados na escada do sótão e viram, com terror nos olhos, Brandt surgir à porta daquele pequeno sótão amontoado de pessoas quase mortas.

            Rachel não pôde deixar de ver que, em uma mão, Brandt segurava uma sacola branca e na outra, uma grande e afiada faca de açougueiro.

 Continua...


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Capítulo 15 - NOITES DE SANGUE

Capítulo 7 - NOITES DE SANGUE

Capítulo 14 - NOITES DE SANGUE