Capítulo 9 - NOITES DE SANGUE
Capítulo 9
Durante toda aquela noite Rachel mal
dormira, pensando no plano para invadir o sótão em busca do misterioso livro.
Ela custara a convencer Nayara a ajudá-la. Mas, persuasiva como sempre foi,
conseguiu que a pobre e assustada Nayara topasse ajudar.
Seu
plano era simples: quando Brandt saísse de casa, nem que fosse só por alguns
minutos, ela chamaria Nayara e ambas entrariam no sótão. Procurariam o livro e
encontrariam um meio de fazer o irmão voltar ao normal.
Rachel
queria que tudo desse certo e fosse fácil. Ela temia encontrar os corpos dos
amigos de Brandt no sótão. Rezava para eles não estivessem lá ou, com certeza,
ela iria ter um treco.
Mas
uma pergunta passou a inquietá-la depois que conversou com Nayara: “Estaria
mesmo Brandt possuído por alguma entidade do mal? Ou ele simplesmente usara
isso como um mero pretexto para se tornar mais um maníaco homicida e
aterrorizar Vale do Medo?”
No
outro dia, Rachel acordou cedo. Tomou um banho quente e vestiu uma calça jeans
desbotada e se agasalhou com um casaco de lã. Estava um dia frio, de chuva fina
e silenciosa.
Tomou
café com os pais, que insistiam em dizer que Brandt só estava passando por uma
fase difícil. Sequer imaginavam que o filho poderia ter se transformado em um
assassino serial.
Rachel
se sentia mal de ficar pensando essas loucuras do irmão, mesmo que elas
pudessem ser verdade.
Logo
Brandt desceu as escadas e sentou à mesa. Ele vestia calça jeans rasgada e uma
camisa preta com uma estampa de uma caveira horrorosa. Ele tomou café em
silêncio. Vez ou outra estudava Rachel com os olhos. Ela tentava não olhar
naqueles seus olhos melancólicos e sombrios.
Então
Rachel se levantou e deixou Brandt na mesa com seus pais. Foi se sentar na sala
de estar. Ligou a tv. Um desenho animado estava passando.
Rachel
estava ansiosa para que o irmão saísse de casa para que ela pudesse pôr seu
plano em ação.
Após
o café Brandt subiu as escadas e se trancou no quarto.
A
Sra. Wallace pediu para Rachel ajudá-la na limpeza da casa. Era sábado, dia de
faxina. A menina concordou. Começaram a limpeza.
-Vou
dar uma organizada no quarto dos tios.- disse Rachel.
-Ótima
ideia.- sorriu a mãe. Ela usava uma grande saia rodada e agasalho.
Rachel
pegou o balde, pano de chão e o rodo e levou tudo para o quarto dos tios, que
ficava de frente para o de Brandt no andar de cima.
Entrou
no bonito e grande quarto com suíte, onde havia uma bela cama de casal com um
dossel, um closet, mesa de cabeceira e um quadro na parede com o autorretrato
deles e começou a arrumar.
Percebeu
uma gaveta aberta na mesinha de cabeceira e foi fechá-la quando viu, lá dentro,
duas carteiras de couro. Uma do lado da outra.
Rachel
pegou as carteiras e as examinou. Constatou que além de dinheiro, ali estavam
todos os documentos dos tios.
“Que
estranho.” Pensou ela. “Por que os tios viajariam para tão longe e esqueceriam
dinheiro e todos os documentos?”
Então
Rachel engoliu a seco. Muito assustada.
“E
se os tios não foram à parte alguma?” o terror crescia em seu peito. Os lábios
tremiam. A boca estava começando a ficar seca. “E se Brandt os matou também?”







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